NATUROPATIA - A MEDICINA QUE FAZ SENTIDO
Revista "Vegetariana"
NATUROPATIA - A MEDICINA QUE FAZ SENTIDO
O que é a Naturopatia?
A Naturopatia é uma Ciência Holística, cujos processos de tratamento se baseiam na aplicação de métodos e recursos 100% naturais com a finalidade de preservar ou recuperar a saúde e ajudar o corpo a eliminar as sobrecargas tóxicas curando-se a si mesmo e baseia-se em três princípios fundamentais:
A Força Vital; este principio diz-nos que o nosso organismo tem a capacidade de enfrentar e recuperar de uma determinada enfermidade, porque possui uma força vital curativa que potencia a homeostasia (tendência do organismo para se auto-equilibrar), ou seja, potencia a recuperação harmoniosa do corpo, tomando este como um todo e não como um conjunto de partes independentes entre si. A definição de Saúde dada pela O.M.S. - Organização Mundial de Saúde, encontra na Naturopatia, um reflexo absolutamente perfeito, pois para um naturopata a saúde é, de facto, um estado em que cada pessoa se sinta física, mental e emocionalmente bem, e não a mera ausência de doença, definição esta já muito mais compatível com os princípios orientadores da Medicina Convencional Alopática.
Os Sintomas da Doença; de uma forma simplista podemos dizer que constituem os sinais e a prova de que o processo curativo natural do corpo está em acção, são sinais da actuação da Força Vital, pelo que não devem ser suprimidos nos indivíduos saudáveis, o que não quer dizer que não devam ser monitorizados e acompanhados. Padecer de uma doença aguda como o sarampo ou uma constipação é normal num corpo saudável, doenças infantis como estas ou outras como a papeira e a varicela são necessárias para o desenvolvimento de um sistema imunitário forte no adulto. A gripe, por exemplo, não é mais do que uma forma saudável do corpo eliminar toxinas. As gripes e as constipações, se seguirem o seu curso normal, desde que acompanhadas, naturalmente, reduzem o risco de bronquite ou doenças degenerativas, como a artrite numa fase posterior da vida.
O Tratamento é Holístico e Natural; uma abordagem holística significa que a pessoa é vista como um todo, o que faz com que o clínico naturopata suporte toda a sua actividade na busca do equilíbrio da tríade composta pela estrutura do corpo, a sua bioquímica e as emoções. A saúde estrutural do corpo passa pelas posturas, pelo sistema músculo-esquelético, etc., todos sabemos que quaisquer desequilíbrios estruturais podem exercer um efeito devastador sobre o sistema nervoso e os restantes órgãos internos. A saúde bioquímica já diz respeito aos efeitos do que comemos e bebemos. Já dizia o pai da Medicina - Hipócrates - que o teu alimento seja o teu medicamento..., princípio este que continua a ser respeitado e aplicado pela Naturopatia Clássica, pelo que, na formação de um Naturopata, as disciplinas de Alimentação e Nutrição têm de ter uma especial importância. Uma alimentação deficiente ou desequilibrada, por um lado, não dá ao organismo e ao seu sistema de auto-cura o apoio que este necessita, como por outro lado, é, na maior parte das vezes lesivo, dados os elevados índices de toxicidade que se encontram em muitas das ofertas gastronómicas dos nossos dias - a tão propalada e disseminada "comida de plástico". As emoções são a outra face desta tríade, pois desempenham um papel fundamental na saúde. Desequilíbrios emocionais, cargas de tensão como o stress do quotidiano, principalmente nas grandes cidades, são um foco cada vez mais importante de desequilíbrios no indivíduo.
A Naturopatia não se baseia num único tratamento, para nós não funciona a relação: uma doença - uma droga química. A Naturopatia não é só multidisciplinar, vai além deste conceito, ela é transdisciplinar, ou seja, engloba e incorpora vários ingredientes e práticas naturais que não contribuem de forma estanque entre si, mas antes de forma complementar, alterando-se intrinsecamente nas suas propriedades curativas através desta transdisciplinaridade potenciando o que de melhor têm para oferecer. Resumindo e simplificando, um Naturopata bem formado tem conhecimentos de múltiplas abordagens terapêuticas e da melhor forma de as poder conjugar e aplicar de forma holística, no sentido de potenciar o processo de auto-cura do indivíduo. Isto significa também, que o tratamento identificado para um determinado estado de saúde de um indivíduo, possa ser completamente diferente daquele a aplicar a outro indivíduo que apresenta um painel de sintomas idênticos. Cada tratamento deverá ser individualizado, de acordo com o indivíduo (ser integral) e não de acordo com os sintomas que apresenta. Todos os ingredientes que qualquer médico, técnico de saúde ou indivíduo instruído, identificaria como essenciais para uma vida saudável são também o alicerce da medicina naturopática.
Como surgiu a Naturopatia?
A Naturopatia é um sistema de medicina holística que surgiu inspirado nos ensinamentos de Hipócrates, pois este sábio da antiguidade incorporava já a dieta, o jejum, a hidroterapia, o exercício e as técnicas manipulativas no seu sistema de cuidados de saúde. Como disciplina científica só começou a ganhar o seu espaço no séc. XIX, quando as drogas e a cirurgia começaram a impor-se nos sistemas de saúde. Ao mesmo tempo que a medicina convencional tentava provar que as doenças estavam a tornar-se cada vez mais complexas, os Naturopatas emergiam para demonstrar exactamente o contrário, ou seja, demonstravam a sua simplicidade, suportando as suas ideias no facto, hoje em dia perfeitamente pacífico, que o segredo de uma boa saúde está na utilização do poder sarador da natureza e não nas drogas químicas e que os desequilíbrios e doenças surgiam pelo desrespeito às leis naturais. Mas o que hoje é óbvio para a maioria das pessoas, não o era até há poucos anos, ou seja, a naturopatia era uma terapia marginal, banida por uns e abafada por outros, seja por mera ignorância (o que seria o mal menor) ou por interesses político-económicos.
O reconhecimento pelo Estado Português.
A Naturopatia goza hoje de um reconhecimento, ainda que tardio, pelo Estado Português, que aliás não fez mais do que o inevitável, ou seja, o poder político não podia permanecer mais tempo à margem do que está a ser feito no resto do mundo. Contrariando ou não alguns interesses menos claros, o Governo correspondeu à necessidade de criar um enquadramento legislativo para a Naturopatia, dando expressão aliás, a uma das directivas da OMS que emitiu em 2002 um documento intitulado "Estratégia para a Medicina Tradicional - 2002-2005" dando ali instruções claras aos estados membros para a regulamentação nesta área. Assim, através da Lei 45/2003 de 22 de Agosto - "Lei do enquadramento base das terapêuticas não Convencionais", o estado português veio fazer o enquadramento da actividade e do exercício dos profissionais que aplicam as terapêuticas não convencionais, tal como são definidas pela Organização Mundial de Saúde. As áreas contempladas são então a Naturopatia, a Homeopatia, a Acupunctura, a Fitoterapia, a Osteopatia e a Quiroprática.
O Diagnóstico Naturopático.
Através do diagnóstico, o naturopata vai descobrir de que modo está a funcionar a força vital do indivíduo, bem como vai detectar tendências para desequilíbrios. Aplicam-se investigações médicas normais, como a avaliação da pulsação, medição da pressão arterial, Analítica, anamnese. Recorrem ainda a técnicas como a biotipologia no sentido de avaliar as tendências sanitárias do indivíduo, classificando-o pelo seu biótipo ou constituição. Outra técnica de diagnóstico que é por nós considerada fundamental é a Iridologia e Iridossomatologia. Sendo esta uma técnica de diagnóstico efectuada através da observação atenta da íris, que nos revela inúmeras indicações da constituição geral do indivíduo, bem como zonas de deficiência ou de desequilíbrio que podem vir a degenerar em patologia. Incluem-se ainda técnicas de análise mineral ou bioeléctrica, para além de outros recursos.
Tratamentos Naturopáticos.
São muito diversificados e flexíveis, e dada a característica transdisciplinar da Naturopatia, é pela conjugação destes que se obtêm as sinergias necessárias ao aumento das suas potencialidades. Assim, usamos a Nutrição, sendo mesmo esta uma das abordagens fundamentais em Naturopatia, pelo que qualquer naturopata tem que ter forçosamente uma boa formação em nutrição e terapia nutricional para poder exercer de forma segura e competente a sua profissão. A Fitoterapia é outra das áreas que consideramos absolutamente vitais no exercício da Naturopatia e à qual demos também uma ênfase muito especial; o naturopata deve dominar a utilização e a prescrição de plantas medicinais, sós ou compostas, para melhor debelar o problema em causa. A Homeopatia é outra das terapêuticas utilizadas, tal como a Acupunctura, Electroterapia, Métodos coadjuvantes para desintoxicar o organismo, etc.
O que esperar numa consulta?
Como qualquer terapia holística, a consulta durará perto de uma hora e meia, onde lhe serão feitas perguntas sobre a sua pessoa, o seu estilo de vida, problemas e história clínica. O utilizador poderá esperar perguntas sobre o tipo e a quantidade do que come e do que bebe, funcionamento intestinal, padrões de sono, rotina diária, períodos de trabalho e de descanso, relacionamentos familiares e profissionais, etc. Executará de seguida um conjunto de testes de rotina médica e algumas das técnicas anteriormente descritas. Se tiver formação de base para tal executará ainda um exame iridológico.
Quais os problemas que a Naturopatia pode aliviar e debelar?
A grande maioria dos problemas crónicos e agudos, ou seja, a maior virtude da naturopatia é encontrar respostas para os problemas em que a medicina alopática não tem solução. Problemas como anemias, alergias, artrite, bronquite, candidíase, distúrbios na circulação sanguínea, obstipação, cistite, eczemas e outras doenças da pele, ressacas, síndroma de cólon irritável, enxaquecas, tensão pré-menstrual, sinusite, úlceras, problemas do sistema digestivo, obesidade, recuperações pós-operatórias, etc., etc. No caso de doenças terminais pode melhorar a resistência à infecção, melhoria das condições de vida, aspectos psicossomáticos, etc.
A Naturopatia é segura?
Tal como qualquer prática profissional dos sistemas de saúde é segura desde que o Naturopata tenha recebido formação de qualidade, que o habilite para tal. Um clínico bem formado sabe o que aplicar e o que evitar, consoante a pessoa que tem à sua frente. A Naturopatia praticada com profissionalismo, sentido ético e deontológico é boa para todas as pessoas, desde crianças a pessoas idosas.
Existem já inúmeras evidências científicas que comprovam a necessidade de incluir a Naturopatia nos sistemas de saúde vigentes em cada país, pois de outra forma a própria O.M.S. não advogaria a sua prática.

